Tagore - Discografia


‘Movido a Vapor’ é o nome do disco de estreia de Tagore, quinteto pernambucano integrado por Tagore Suassuna (voz e violão), Caramurú Baumgartner (percussão e voz) Julio Castilho (baixo/guitarra/synt), Emerson Calado (bateria) e João Cavalcanti (baixo/guitarra/synth).

Composto por treze (13) faixas, o álbum lançado em agosto de 2014 mescla baião, folk, rock e arranjos psicodélicos, resultando em um som original que agrada os ouvidos e faz a gente batucar os pés e balançar a cabeça.

Algumas das principais referências sonoras do grupo são homenageadas neste trabalho, como Alceu Valença e Tom Zé, que tiveram seus sucessos ‘Morena Tropicana’ e ‘Todos os Olhos’ regravados em ótimas versões.

Não apenas contagiante pelas melodias, ‘Movido a Vapor’ também tem letras inteligentes, que dialogam com diversos aspectos da vida moderna e as peculiaridades do ser humano em meio ao caos.

Uma excelente sátira política, a primeira música de trabalho do álbum, ‘Ilhas Cayman’, teve seu vídeo gravado em Siegen, na Alemanha e no centro de Recife e tem direção de Eduardo Pereira e Micha Rudolph.

O bom humor e a graça da banda é enfatiza na própria capa de ‘Movido a Vapor’ politicamente incorreta, porém cativante, é um retrato do vocalista Tagore Siassuna no dia de seu primeiro aniversário.

Com pouco mais de três anos de carreira, a banda que já lançou singles e um EP, ‘Aldeia’, em 2010, vem se consolidando e sendo destaque no cenário de músicos independentes. É vencedora da edição 2013 do festival PREAMP, conquistou o primeiro lugar no 14º Festcine com o clipe Poliglota e marcou presença no Abril Pro Rock 2013.

Em 2014 realizou 35 shows por sete estados brasileiros: São Paulo, Goias, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Em 2015 participou dos festivais Rec Beat (PE), Psicodália (SC) e Grito Rock (GO). (Texto: Facebook)


Pineal

Pineal (2016, Sony Music) é uma viagem que começa antes mesmo que a primeira música do disco, a introdutória Mudo, tenha início. Basta observar a cósmica imagem de capa do álbum, trabalho que conta com a assinatura de Caramurú Baumgartner, para perceber a essência colorida do segundo registro de inéditas da banda comandada por Tagore Suassuna. Guitarras, vozes e versos que bebem de diferentes fontes psicodélicas, fazendo do registro um verdadeiro delírio musical.
 
Sucessor do álbum Movido a Vapor, de 2014, o novo disco do grupo pernambucano dialoga com o presente da música psicodélica. Composições que visitam diferentes cenas e referências de forma atenta, ampliando o terreno criativo da banda – completa com Julio Castilho (baixo, guitarra e teclados), Caramurú Baumgartner (percussão e teclados), Emerson Calado (bateria), João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) e Diego Dornelles (baixo, guitarra e teclados).
 
Claramente influenciado pelas texturas instrumentais e experimentos incorporados por Kevin Parker no Tame Impala, Tagore e os parceiros de banda fazem de cada faixa ao longo do disco um precioso exercício de reverência. Difícil não lembrar de obras como Lonerism (2012) e Currents (2015) ao esbarrar nas guitarras e distorções de faixas como Camelo. A própria Apocalipse Jeans, 11ª canção do disco, nasce como uma referência direta à também lisérgica Apocalypse Dreams.
 
É justamente essa forte similaridade com o trabalho do grupo australiano, além de outros nomes recentes, como Unknown Mortal Orchestra e Pond, que acaba prejudicando o crescimento de Pineal. Uma constante sensação de que tudo não passa de uma “versão brasileira” do som produzido lá fora, semelhança corrompida na cuidadosa colagem de ritmos pelos goianos da Boogarins e o completo experimento de grupos como Bike e Catavento, também inspirados pelo mesma sonoridade.
 
Interessante perceber em Reflexo e Ilha Yoshimi, duas das canções que mais se distanciam desse universo, os instantes de maior acerto e beleza da obra. Enquanto a primeira composição se entrega ao experimento, mergulhando em um oceano de emanações lisérgicas, etéreas, a faixa seguinte dialoga de forma explícita com a psicodelia brasileira. Um tempero “brega” e nostálgico que parece resgatar a essência de artistas como Fagner e Ave Sangria, conceito também evidente na hipnótica Pasto.
 
Passo além em relação ao material apresentado há dois anos, Pineal indica um forte amadurecimento por parte de cada integrante do grupo pernambucano. Não é difícil perceber o completo refinamento dos arranjos e vozes dentro de músicas como Mudo, Reflexo e a própria faixa-título do disco. Uma clara evolução quando voltamos os ouvidos para o som cru que orienta as canções de Movido a Vapor, como se a banda continuasse a testar os próprios limites dentro de estúdio. (Texto: Miojo Indie)

 

 
Discografia

 

Movido A Vapor (2014)
01. Movido A Vapor
02. 2012
03. Poliglota
04. Enciclopedia Do Ser
05. Crença
06. Tarde Londrina
07. Vagabundo Iluminado
08. Ilhas Cayman
09. Todos Os Olhos
10. Porto Belo
11. Calvário
12. Morena Tropicana
13. Lamento em Sol



Pineal (2016)
01. Mudo
02. Mar Alado
03. Pineal
04. Camelo
05. Reflexo
06. Ilha Yoshimi
07. Concha
08. Pasto
09. Space Jazz
10. Dr. Monday
11. Apocalipse Jeans
12. Granada




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