Francisco, El Hombre - Discografia


Francisco, el Hombre é uma banda mexicano-brasileira de rock, música mexicana e música brasileira formada em 2013 pelos irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte na cidade de Campinas, São Paulo. Com mais três membros brasileiros,o quinteto mistura elementos musicais de ambos os países e outros da América Latina, com base na experiência dos irmãos em viagens no continente, resultando em música cantada tanto em português como em espanhol e inglês. Autodefinem-se como um grupo de "pachanga folk". Também já foram descritos como uma mistura de Manu Chao e Nação Zumbi e já se autodefiniram como "uma fusão entre a batucada e a música latina" e "batuk freak tropikarlos".
 
Após viajarem pelo mundo com seus instrumentos, os irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte se mudaram para o Brasil em meados dos anos 2000, firmaram-se no distrito de Barão Geraldo em Campinas, São Paulo, e formaram a banda com o objetivo de "largar os empregos, faculdade e todas as 'amarras com a sociedade'". O nome do grupo foi inspirado em um figura de mesmo nome do folclore colombiano, conhecida por tocar acordeão pelas ruas das cidades.
 
Até 2015, já haviam realizado duas turnês sul-americanas, com a segunda sendo denominada "Mochilazo" No início daquele ano, após um show realizado em Mendoza, Argentina, sofreram um assalto e perderam todos os seus pertences, incluindo instrumentos e documentos. Só conseguiram voltar ao Brasil após uma campanha on-line, ajuda da população local e de amigos, e fundos arrecadados em apresentações nas ruas com instrumentos emprestados. Os membros consideraram o episódio como um divisor de águas para o grupo, responsável por alterar a perspectiva que tinham de seu trabalho.

Em abril de 2015, lançaram seu EP La Pachanga!, com seis faixas autorais. O evento de lançamento se deu no Centro Cultural São Paulo no dia 7 do mês seguinte, onde também gravaram um vídeo para a faixa "Dicen" (cuja versão de estúdio traz a participação da cantora chilena Francisca Valenzuela), que, segundo os irmãos fundadores, surgiu para que pudessem falar a seus pequenos sobrinhos sobre a ditadura. O EP traz também a faixa "Minha Casa", a única totalmente em português, escrita na África.

Em 2016, iniciaram a campanha #VaiPraCuba, por meio da qual pretendiam financiar um documentário sobre a cultura da ilha comunista, aproveitando uma viagem à capital Havana para participar do projeto "El Sur Suena", no festival "AMPM – América por Su Música".No meio do ano, realizaram também uma turnê latino-americana.

Em junho de 2016, lançaram um clipe para a faixa "Calor da Rua", produzida por Curumin e Zé Nigro, que trata de violência doméstica e figuraria no primeiro álbum completo do quinteto. O álbum denominado SOLTASBRUXA, foi lançado no dia 2 de setembro. Foi produzido por Zé Nigro e trouxe participações de Liniker e Apanhador Só, além de letras politizadas e com comentários sociais.  (Texto: Wikipédia)

 
SOLTASBRUXA
 
Na ocasião do lançamento do EP La Pachanga, pudemos perceber o quão poderosas são as vozes dos integrantes de Francisco, El Hombre. Entoando belíssimas melodias e arranjos, o grupo campineiro nos emocionou com cantos extremamente honestos que nos mostravam com orgulho a descendência latina e, ao mesmo tempo que amplas, tinha um aspecto bastante introspectivo, com temas permeando a esfera do imaginário dos próprios compositores. Entretanto, quase um ano depois deste lançamento, parece que as coisas tomaram uma nova e maior perspectiva. A voz do hombre Francisco era muito poderosa para ficar contida no plano individual e agora a força do coletivo se alia ao talento do grupo para produzir um disco que é mais que um registro, é um brado.
 
SOLTASBRUXA é uma expressão de um descontentamento, porém longe de ser algo frágil. É uma crítica que, de tão certeira, se revela ácida e, ao mesmo tempo, doce. Com uma produção muito bem executada, tirando de cada instrumento a potência devida para que este grito seja escutado, a base instrumental mantém sólida as influências latinas do grupo, passeando por gêneros como a música Folclórica mexicana, Axé, Marchas e outros. Neste disco, não é só o grito que serve como instrumento para entregar a mensagem, mas também os susurros, a delicadeza e o coro. Afinal, que mensagem é essa?
 
O primeiro disco da banda resume um sentimento misto que vivemos na atual conjuntura político-social brasileira e, por isso, é natural que ele seja plural em suas temáticas. Seria impossível conceber um trabalho que fala sobre 2016 se apoiando por um único tema. Começamos com Calor Da Rua, nos chamando para a guerra e transmitindo toda a frustração e ânsia pelo protesto. Bolso Nada opta por ser mais direta na crítica, juntando forças com Liniker E Os Caramelows em uma frente única ao deputado Bolsonaro, ou, como a banda prefere se referir, “esse cara escroto/mucho escroto”.
 
Triste, Louca e Má se encolhe nos arranhos, mas não na mensagem, imprimindo uma denúncia do patriarcado machista e um grito feminino ao proferir com força “Minha carne não me define/eu sou meu próprio meu lar”. Tá Com Um Dólar, Tá Com Deus traça um interessante paralelo com as marchinhas típicas do carnaval dos anos 30, evidenciando uma crise econômica na qual o capital estrangeiro é claramente mais valorizado, afinal, “o dólar vale mais que eu/eita, fudeu!”. E, por fim, Muro Em Branco clama uma esperança pelos anos tensos que se sucederão na política brasileira, com uma analogia fantástica do indivíduo aos pixos de protestos espalhados pelo Brasil: “Eu não nasci para ser muro em branco, não!”.
 
SOLTASBRUXA faz jus ao título que tem, pois reúne todas as emoções que tem misturadas e nos joga na cara em uma tacada só. É um disco poderoso e edificante, pois traz um reflexo vivo de uma situação complicada no país, ao mesmo que tempo que é uma válvula de escape para as nossas frustrações (que por vezes se confundem com a da banda). Um trabalho bastante maduro por uma banda que tem cada vez mais certeza do caminho que escolheu.
 
Um registro que não nos deixa Temer jamais. (Texto: Monkey Buzz)





Discografia

 
Nudez (2013) [EP]
01. Nudez
02. Ó Deuz
03. RadioRadioRadio
04. [EP Hidden Track]



La Pachanga! (2015) [EP]
01. Para Além Da Porta... O Mundo
02. La Pachanga!
03. Dicen
04. Minha Casa
05. Francisco, el Hombre
06. Brindizino



Soltasbruxa (2016)
01. Soltasbruxa
02. Calor da Rua
03. Bolso Nada
(part. Liniker e os Caramelows)
04. Primavera
05. Não Vou Descansar
06. Triste, Louca ou Má
(part. Larissa Baq, Helena Maria, Salma Jô e Renata Éssis)
07. … (part. Qowasi)
08. Tá com Dólar, Tá com Deus (part. Apanhador Só)
09. Como una Flor
10. Sincero
11. LoboLoboLobo!
12. Axé e Auê sem Fuzuê
13. Muro em Branco



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