Xóõ - Xóõ (2k16) (2016)


As ideias ocupam toda a extensão do primeiro registro em estúdio do coletivo Xóõ. Entre versos marcados por temas existencialistas, conceitos políticos, medos e confissões sentimentais, uma chuva de ruídos, bases eletrônicas e experimentos orquestram de forma essencialmente instável o rumo de cada composição assinada pelo grupo. Caos transformado em música. Uma propositada ausência de ordem, estímulo para a construção do curto acervo que sustenta o disco homônimo da banda.
 
No time de músicos aos comandos do Xóõ – pronuncia-se chó-on -, Vitor Brauer (vocalista da banda mineira Lupe de Lupe), Bruno Schulz (produtor e músico que já trabalhou ao lado de Cícero), Cairê Rego e Felipe Pacheco (ambos integrantes do coletivo Baleia), Gabriel Barbosa (SLVDR, também membro da banda de Duda Brack), além de Larissa Conforto, Gabriel Ventura e Hugo Noguchi, estes três últimos, responsáveis pelo Ventre. Oito colaboradores. Oito canções inéditas.
 
Escolhida para apresentar o trabalho, a descritiva Passado Futuro encontra em fragmentos históricos – que vão da antiguidade à era da informação – um eficiente ponto de partida. Trata-se de uma colisão alucinada de ideias e textos narrados por Brauer. Versos que observam o nascimento do homem, discutem religião, guerras, evolução e tecnologia, fixando no verso inaugural — “A humanidade nasceu da morte” — uma base pessimista que serve de estímulo para o restante da obra.
 
Sem ordem aparente, cada música assume uma direção específica, torta e sempre provocativa. Em Gente Boa, por exemplo, enquanto as guitarras flertam com a obra de Deftones e Queens Of The Stone Age, nos versos, Brauer mergulha em um cenário cinza, dominado por personagens tão instáveis (e sujos) quanto os arranjos que invadem a canção. Um completo oposto do som apresentado em Eu Te Amo, um axé-rock distorcido, “pegajoso” e talvez a composição mais acessível de toda a obra.
 
É justamente dentro da mesma faixa que as confissões de Brauer alcançam o mesmo nível de exposição incorporado em Quarup (2014). Versos intimistas que ainda replicam grande parte das canções apresentadas no bem-sucedida álbum de estreia do Ventre, lançado no último ano. “E eu achei que estava amando, de verdade e com suor / É tanta gente que se ama que é fácil na hora falar / Desculpa”, despeja o vocalista, criando uma ponte para a também amarga Mudança — “E eu trepei com todas uma por uma / E eu fazia tudo que um dia eu fiz com você”.
 
Fruto da colisão de ideias, conceitos e experiências musicais de cada idealizador, Xóõ parece longe de fornecer ao público qualquer tipo de resposta. Trata-se de um curioso experimento. Da colisão de versos e eventos históricas que inauguram o trabalho, passando por faixas como Cansado e Gente Boa, até alcançar o texto de encerramento que pontua o álbum de forma honesta, todos os elementos se “organizam” de forma a estimular e bagunçar a mente do ouvinte.  (Texto: Miojo Indie)
 
 

Discografia

   
Xóõ (2k16) (2016)
01. Passado Futuro
02. É Tudo Roubado
03. Cansado
04. Gente Boa
05. Eu Te Amo
06. Mudança
07. Questão de Opinião
08. Créditos




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