Sérgio Sampaio - Discografia


Sérgio Moraes Sampaio foi um cantor e compositor brasileiro, nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo em 13 de abril de 1947 e falecido no Rio de Janeiro em 15 de maio de 1994.

A trajetória errática do capixaba Sérgio Sampaio sempre desafiou explicações. Depois de sacudir o país em 1972 com a marcha-rancho “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua” – um sucesso estrondoso, que realmente marcou época –, o compositor viu pouco a pouco sua carreira estagnar. Difícil de entender porque um artista de evidente talento – melodista sensível, poeta inspirado, expressivo cantor, violonista competente – acabou por não alcançar, em seu tempo, a popularidade e o prestígio devidos. Há quem diga que o sucesso foi da música, não do cantor e compositor – uma análise um tanto simplista, mas não desprovida de um certo fundo de verdade.
 
Nascido em 1947, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo, filho de Raul Gonçalves Sampaio, maestro de banda e compositor, e de Maria de Lourdes Moraes, professora primária, Sérgio Sampaio recebeu do pai as primeiras influências musicais, tendo curtido na adolescência grande paixão pelo repertório seresteiro de Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves. Em 1967, enamorado da ebulição cultural do Rio de Janeiro, foi para lá em busca de um lugar no céu estrelado da MPB. Atuou por dois anos como locutor de rádio nas AMs cariocas, enquanto desenvolvia também o seu trabalho musical. Em fins de 1970, foi descoberto acidentalmente pelo produtor Raul Seixas, quando acompanhava ao violão um aspirante a cantor, num teste na gravadora CBS.
 
Contratado pela CBS, Sérgio fez sua estréia, em meados de 1971, com o compacto “Coco Verde/Ana Juan”, produzido por Raul. Meses depois, Raul, Sérgio e mais Míriam Batucada e Edy Star gravaram o polêmico disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez”, que causou grande celeuma na CBS. Uma verdadeira sessão de escracho, com paródias e pastiches musicais temperadas com um humor corrosivo, esse trabalho trazia algumas parcerias de Sérgio e Raul, como o xote elétrico “Quero ir” e o acid rock “Doutor Pacheco”. No mesmo ano, o artista defendeu no V FIC sua composição “Ano 83”, que permanece inédita em disco.
Em 1972, já integrando o elenco da Phillips/Phonogram, Sérgio apresentou no sétimo e último FIC a marcha-rancho “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”. Mesmo não tendo sido a vencedora, a música foi o maior sucesso do evento. O compacto lançado a seguir venderia cerca de 500 mil unidades. Em meio ao êxito avassalador da música, Sampaio, jovem e sem dispor ainda de uma estrutura profissional sólida, adotou uma postura arredia frente ao intenso assédio da mídia, o que acabaria lhe custando a fama de artista “temperamental” e “difícil”.


Em março de 1973 foi lançado seu primeiro LP, que levou o título de seu maior sucesso. Embora trazendo sambas de apelo popular (“Cala a Boca, Zebedeu”, de autoria de seu pai, e “Odete”) e incursões personalíssimas pela música pop (“Leros e Leros e Boleros”, “Eu Sou Aquele Que Disse”), o disco teve uma vendagem modesta, além de ser recebido pela crítica com desapontamento notável. Mais à frente, sua composição “Quatro Paredes” foi gravada parcialmente por Maria Bethânia, encaixada num pot-pourri no disco “A Cena Muda”.
 
No início de 1974 saiu o compacto “Meu Pobre Blues / Foi Ela”. A primeira, uma dúbia elegia ao conterrâneo Roberto Carlos, de letra desconcertante, alcançou boa repercussão. Foi sua despedida da Phillips. Ele só retornaria à cena musical em 1975, já na gravadora Continental, lançando o compacto “Velho Bandido / O Teto da Minha Casa”, com boa aceitação popular e críticas muito favoráveis. Ainda em 1975, a irônica marchinha “Cantor de Rádio”, onde o artista alfinetava a indústria musical, foi incluída no LP “Convocação Geral nº 2”, da Som Livre.
 
Em 1976, Sérgio lançou seu segundo LP, “Tem Que Acontecer”, considerado por muitos seu melhor trabalho. Com produção de Roberto Moura e arranjos do violonista João de Aquino, no disco brilhavam instrumentistas como Altamiro Carrilho (flauta), Abel Ferreira (clarinete) e Joel Nascimento (bandolim). Sérgio aliava o vigor interpretativo e poético dos primeiros anos a uma maior maturidade como compositor, em obras bem acabadas, como o amargo samba “Até Outro Dia”, o samba-canção “Velho Bode” (em parceria com Sérgio Natureza), o fox “Que Loucura” (uma letra em homenagem ao poeta tropicalista Torquato Neto) e a faixa-título. O disco foi bem recebido junto à crítica, mas não alcançou o sucesso esperado.
 
Em meados de 1977, ainda na Continental, Sérgio Sampaio lançou mais um compacto, “Ninguém Vive Por Mim / História de Boêmio (Um Abraço em Nelson Gonçalves)”. A primeira, um pop altamente suingado, foi bem executada nas rádios, apesar da letra cáustica, novamente enfocando a difícil relação do compositor com a indústria do disco. Foi o derradeiro trabalho de Sampaio por uma gravadora oficial. Dali em diante, já arrolado entre os “malditos” da MPB, ele seria um artista independente, sem gravadora e sem música no rádio, vivendo apenas de shows eventuais para um séquito fiel de admiradores em todo o país.
 
Em 1981, Erasmo Carlos gravou em seu LP “Mulher” a canção “Feminino Coração de Deus”, composta por Sérgio especialmente para ele. No ano seguinte, Sampaio lançou o disco independente “Sinceramente”. Como o título sugeria, um trabalho de grande desnudamento pessoal do compositor. No entanto, mais uma vez a repercussão foi pequena, a despeito da qualidade de canções como “Nem Assim”, “Tolo Fui Eu” e “Essa Tal de Mentira”. O disco trazia também o samba “Doce Melodia”, onde o homenageado Luiz Melodia terçava vozes com Sérgio.
 
Durante os anos 80, o artista viveu praticamente no limbo profissional, com escassos shows em bares a minguados cachês. Em seus longos retiros em sua cidade natal, porém, ele compunha sempre e cada vez melhor. Suas melodias se tornaram mais elaboradas, ao mesmo tempo conservando seu despojamento tão característico. Passou a criar harmonias com maior esmero e sua poesia atingiu o perfeito balanço entre lirismo, humor, perspicácia e concisão.
 
Nos longos anos em que esteve relegado ao acostamento da cena musical, Sérgio apresentou-se quase sempre sozinho com seu violão, maturando sua performance ao máximo. De um balaio de cerca de 50 canções que ele mostrava nessas apresentações, ele escolheria o repertório do cd “Cruel”, que seria produzido pela gravadora paulista Baratos Afins em 1994, e que marcaria a volta de Sérgio ao disco, projeto abortado pela morte do artista, em maio daquele ano, ocasionada por uma crise de pancreatite.

Mesmo hoje, tantos anos após sua morte, Sérgio Sampaio continua a ser um dos artistas mais verdadeiros, inquietantes e enigmáticos da história da MPB. (Texto: Viva Sampaio).

 
Discografia

   

Compacto - Ana Juan (1971)
01. Coco Verde
02. Ana Juan



Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (1971)
01. Êta Vida
02. Sessão das Dez
03. Eu Vou Botar Pra Ferver
04. Eu Acho Graça
05. Chorinho Inconsequente
06. Quero Ir
07. Soul Tabarôa
08. Todo Mundo Esta Feliz
09. Aos Trancos E Barrancos
10. Eu Não Quero Dizer Nada
11. Dr.Pacheco
12. Finale



Compacto - Não Adianta (1972)
01. Classificados N° 1
02. Não Adianta



Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (1973)
01. Leros & Leros & Boleros
02. Filme de Terror
03. Cala a Boca, Zebedeu
04. Pobre Meu Pai
05. Labirintos Negros
06. Eu Sou Aquele que Disse
07. Viajei de Trem
08. Não Tenha Medo Não
09. Da. Maria de Lourdes
10. Odete
11. Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua
12. Raulzito Seixas



Compacto - Meu Pobre Blues (1974)
01. Meu Pobre Blues
02. Foi Ela



Compacto - Velho Bandido (1975)
01. Velho Bandido
02.O Teto da Minha Casa



Tem Que Acontecer (1976)
01. Até Outro Dia
02. Que Loucura
03. Cada Lugar na Sua Coisa
04. Cabras Pastando
05. Velho Bode
06. O Que Pintar Pintou
07. A Luz e a Semente
08. Tem Que Acontecer
09. Quanto Mais
10. Quatro Paredes
11. Filho do Ovo



Compacto - Ninguém Vive Por Mim (1977)
01. Ninguém Vive Por Mim
02. História de Boêmio (Um Abraço em Nelson Gonçalves)



Sinceramente (1982)
01. Homem de Trinta
02. Na Captura
03. Tolo Fui Eu
04. Só Para o Seu Coração
05. Essa Tal de Mentira
06. Meu Filho, Minha Filha
07. Cabra Cega
08. Sinceramente
09. Nem Assim
10. Doce Melodia
11. Faixa Seis



Cruel Cru (1994)
01. Em Nome de Deus
02. Roda Morta
03. Polícia, Bandido, Cachorro, Dentista
04. Brasília
05. Quero Encontrar um Amor
06. Magia Pura
07. Muito Além do Jardim
08. Destino Trabalhador
09. Pavio do Destino
10. Uma Quase Mulher
11. Rosa Púrpura de Cubatão
12. Chuva Fina
13. Menino João (ao vivo)



Balaio do Sampaio (1998)
01. Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio)
02. Em Nome de Deus (Chico César)
03. Feminino Coração de Deus (Erasmo Carlos)
04. Rosa Púrpura de Cubatão (João Bosco)
05. Tem Que Acontecer (Zeca Baleiro)
06. Meu Pobre Blues (Zizi Possi)
07. Pavio do Destino (Lenine)
08. Até Outro Dia (João Nogueira)
09. Velho Bode (Eduardo Dusek)
10. Que Loucura (Renato Piau)
11. Velho Bandido (Jards Macalé)
12. Cala a Boca, Zebedeu (Luiz Melodia)
13. Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Elba Ramalho)



Sérgio Sampaio 25 Anos (2002)
01. Até Outro Dia
02. Que Loucura
03. Cada Lugar na Sua Coisa
04. Cabras Pastando
05. Velho Bode
06. O Que Pintá, Pintô
07. A Luz e a Semente
08. Quanto Mais
09. Tem que Acontecer
10. O Filho do Ovo
11. Velho Bandido
12. O Teto da Minha Casa
13. Ninguém Vive por Mim
14. Quatro Paredes



Cruel (2006)
01. Em Nome de Deus
02. Roda Morta
03. Polícia, Bandido, Cachorro, Dentista
04. Brasília
05. Magia Pura
06. Rosa Púrpura de Cubatão
07. Muito Além do Jardim
08. Real Beleza
09. Pavio do Destino
10. Quero Encontrar um Amor
11. Quem é do Amor
12. Cruel
13. Uma Quase Mulher
14. Maiúsculo



Ao Vivo no Cabaré Mineiro 1986 (2010)
01. Viajei De Trem
02. Pobre Meu Pai
03. Cala A Boca, Zebedeu
04. Quatro Paredes
05. Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua
06. Que Loucura
07. Só Para Ganhar O Carnaval
08. Meu Pobre Blues
09. Roda Morta
10. Cabras Pastando
11. Ninguém Vive Por Mim
12. O Que Eu Sinto Agora




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