Trombone de Frutas - Discografia


Trombone de Frutas lança álbum Chanti Alpïsti 

As nove primeiras notas ouvidas no novo álbum do Trombone de Frutas, Chanti Alpïsti (2016), são exatamente as mesmas dez notas que encerram seu trabalho anterior, Chanti, Charango? (2014).


 Talvez essa seja uma boa forma de encarar o disco recém lançado pelo sexteto curitibano. Fica no ar a dúvida: a banda já estava pensando no segundo álbum enquanto gravava seu debute? Ou simplesmente aproveitou a deixa para criar um elo entre os dois trabalhos? Seria um olhar para o futuro ou uma forma de relembrar o passado? De qualquer forma, é inútil querer perguntar a eles. A cada tentativa, a explicação será diferente. E, ironicamente, todas farão sentido.

Pensando no que essas nove notas que iniciam a faixa São Gonçárabe podem nos indicar sobre o disco, vale saber que elas foram inspiradas na melodia de um auto de rua pernambucano, não sem antes serem entortadas em uma escala árabe. Tudo isso para contar uma história que envolve São Gonçalo do Amarante, férias coletivas e uma prisão em uma plantação de café. Informação demais? De forma alguma: tudo funciona com muita naturalidade, numa abertura de álbum que nos faz mergulhar em quase sete minutos de inúmeras misturas, que poderão ser ouvidas nas músicas seguintes.

A duração das faixas também chama a atenção. Sete, seis, cinco minutos... em uma época de ouvidos impacientes, o Trombone de Frutas nos convida a passear por suas paisagens sonoras, com músicas que vão se transformando e nos levando a lugares que não imaginávamos nos primeiros segundos de audição. Há referências latinas, africanas, rock, baladas, distorções, coros, explosões e quase silêncios. Não necessariamente nessa ordem. Mas talvez sim.

Para isso, utilizam todas as possibilidades que têm ao seu alcance: além da cozinha formada por bateria, baixo e guitarra, podemos ouvir piano, sanfona, flauta transversa e, claro, o trombone, que de certa forma costura as oito canções de Chanti Alpïsti. A voz de Conde Baltazar nos pega pela mão e ouvidos e nos conduz pelas histórias que o grupo tem para nos contar, sejam as que já passaram ou as que estão para acontecer.

"Quanta história a gente tem que ainda não viveu. Me vêum pedaço seu para levantar o que émeu", cita o vocalista em Três imagens. A cumplicidade não se restringe aos personagens da canção, mas é também um pedido de aproximação e troca com quem ouve a música. "Ela inventou a dor, mas eu játenho três" segue o disco em Ela inventou, num misto de deboche e lição aprendida. Já em Tchitchilia, Conde dá voz à sua filha ao cantar um daqueles típicos e poéticos dilemas infantis: "ô, meu pai. Quero ver o ar".

Há, claro, momentos de irreverência. Em A missa, o ritmo mega dançante brinca com o sermão: "nem um terço da missa se foi e eu tô querendo partir". E aí tem até espaço para uma irônica auto referência, já que pode se ouvir em outras partes do disco a frase "eu vou partir". "Nós vamos juntos, nós vamos longe", encerra a banda em um poderoso coro profético. Não há dúvida alguma sobre isso.

A banda é formada por Conde Baltazar (vozes), João Taborda (bateria), Lauro Ribeiro (trombone), Marc Olaf (piano, flauta transversa, sanfona), Rodrigo Chavez (baixo) e Thiago Ramalho (guitarra). Para a gravação, os seis se internaram durante 2 dias no estúdio El Rocha, em São Paulo, no mês de novembro de 2015.

Com trabalhos com Maria Gadu, Fagner, Norah Jones, entre outros, o paranaense Maycon Ananias foi o responsável pela produção do álbum junto com a banda. Maycon também assina a mixagem ao lado de João Caserta. A masterização é assinada por Fernando Sanches.


Trajetória

Um dos nomes de maior destaque da música paranaense hoje, o Trombone de Frutas foi criado em 2010. Conquistou alcance nacional em 2014, com o lançamento do álbum Chanti, Charango?, fruto de um financiamento coletivo que arrecadou R$ 28 mil. Com shows em várias cidades de Brasil e uma turnêpela Argentina, o grupo já subiu ao palco como banda de apoio de nomes consagrados como Jards Macalé e Di Melo.

A imprevisibilidade e a busca pelo desafio sonoro se refletem em suas ações. O grupo busca maneiras de agregar outras linguagens artísticas ao seu trabalho, bem como organizar eventos que proporcionem a aproximação com o público e outros agentes culturais.

Um exemplo é o Biro Biro Day Show, criado em 2014, que reúne música, performance, teatro, circo, gastronomia, comércio criativo e o que mais der na telha. Organizado de forma independente e gerido pelos integrantes da banda, a ideia éreunir artistas e outros agentes envolvidos na cena cultural curitibana para uma tarde de diversão.


Casa própria

Acostumada a tocar em praças e quintais, criando eventos exclusivos, eles resolveram investir em seu próprio espaço artístico. Localizada no bairro Bigorrilho, em Curitiba, a Arnica Cultural é um empreendimento que reúne local para shows, projeções, feiras, uma produtora de áudio, além de estúdio para gravação e ensaio. Gerenciado pelo seis integrantes, o espaço foi pensado para abrigar empreendimentos culturais, bem como é uma opção para artistas e agentes de Curitiba e de outras cidades realizarem suas ideias. (Texto: Site Oficial).




Discografia
 
Senha dos arquivos: brrock

 

Chanti, Charango? (2014)
01. Taca Fogo/Tristeza
02. Umbrais
03. Brastempp
04. Panderá/Loteria
05. Bicicletas Olaf



Chanti Alpïsti (2016)
01. São Gonçarabe
02. Três Imagens
03. Ela Inventou
04. A Missa
05. Alpha
06. Tchitchilia
07. Me And You
08. Tangueira




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