Catavento - Discografia


Ruídos, distorções e vozes maquiadas pelo uso de efeitos. Dois anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Lost Youth Against The Rush (2014), o coletivo gaúcho Catavento está de volta com um novo (e barulhento) registro de inéditas. Entre versos cantados em inglês e português, CHA (2016, Honey Bomb Records) indica a direção experimental assumida pela banda — hoje formada por Leo Rech (guitarra/vocal) Leo Lucena (guitarra/baixo/vocal), Du Panozzo (baixo/guitarra/vocal), Johnny Boaventura (teclados/vocal), Lucas Bustince (bateria) e Francisco Maffei (efeitos/teclados/vocal).

Por vezes íntimo da mesma psicodelia explorada nos últimos trabalhos de bandas como Boogarins e Bike, pouco a pouco, o presente álbum se distancia de outros exemplares da cena nacional por conta da forte carga de ruídos e ambientações etéreas que se espalham no interior da obra. Da abertura do disco, em Little Fishes, passando pelas melodias tortas de faixas como City’s Angels e The Sky, um turbilhão de cores e distorções sujas se chocam de forma a bagunçar a mente do ouvinte.

Claramente inspirado pelo trabalho de artistas como Ty Segall, Sonic Youth e Tame Impala, CHA é um registro em que as ideias convergem a todo instante. São apenas nove faixas, pouco menos de 40 minutos de duração, entretanto, parece difícil prever qualquer movimento da banda. Guitarras e vozes duelam a todo instante, paredões imensos de ruídos são levantados e destruídos sem ordem aparente, fazendo desse constante choque criativo a base de cada composição do registro.

Ainda que a poesia do disco esteja ancorados nas “dores e as delícias de entrar no mundo adulto”, como aponta o texto de apresentação do trabalho, mais do que um alicerce, as letras do álbum se revelam como um poderoso complemento musical. Ruídos abafados e cantos ecoados que atravessam os acordes sujos da obra, transportando o ouvinte para um cenário essencialmente onírico, subjetivo, conceito explícito no canto irregular de faixas como Red Lagoa e Thanks a Lot.

Dentro desse ondulado de experiências lisérgicas, instantes de clara sobriedade indicam a busca do coletivo por um som parcialmente acessível. É o caso de faixas como City’s Angels e Plantinha. Ainda que a massa de ruídos de cada canção replique o som de artistas como Deerhunter e My Bloody Valentine, a letra pegajosa em proximidade ao movimento rápido de guitarras parece pensada de forma a estreitar a relação com uma parcela maior do público. Mesmo The Sky, com seus mais de seis minutos de duração, cria pequenas brechas e curvas melódicas para seduzir o ouvinte.

Mergulhado em um conjunto de regras próprias e experimentos constantes, CHA encanta justamente pela completa ausência de ordem e lenta desconstrução de cada nova composição. São décadas de referência que se agrupam de forma a revelar um material parcialmente inédito, raro, como se um mundo de segredos, inspirações, vozes e versos se escondessem por baixo das imensas camadas de ruído que cobre o disco. Caos convertido em música. (Texto: Miojo Indie).





Discografia
 
Senha dos arquivos: brrock

 

Lost Youth Against The Rush (2014)
01. Seesaw
02. Rasco
03. Fauna Sound
04. Moments
05. Metabol
06. Formiga
07. Bemeorgetagirl
08. Cactus
09. Youth



Chá (2016)
01. Little Fishes
02. Red Lagoa
03. City’s Angels
04. The Sky
05. Rooftop
06. Plantinha
07. Thanks a Lot
08. Illinoia
09. It Tangles It Never Breaks




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