O Nó - Discografia


O Nó é uma confusão de referências fragmentadas que só poderiam coexistir, se não na cabeça de um Thomas Pynchon, em plena era da internet. Regurgitando influências da coleção de LPs dos pais, eles citam e se apropriam de tudo. É uma esquizofrenia bem própria dessa geração. Não tem geografia própria porque não tem geografia propriamente. A distinção entre a chamada alta cultura da chamada baixa cultura já está abolida. A coesão e a coerência, que parecem faltar, existem dentro de uma relação interna. Não existe uma narrativa linear, mas uma sucessão de cenas que podem ou não conversar entre si. São peças intercambiáveis

Assumir a tosquice (tanto do aspecto cromático, com cores vibrantes, quanto da quase breguice dos synths histéricos e das guitarras épicas) como estética parece ser um caminho cada vez mais comum na cena contemporânea. A capa do EP remete à ideia cartunesca de uma arábia de fábula, com tapetes mágicos e pó de pirlimpimpim. As mil e uma noites de um filme dos anos quarenta. É uma estética calcada na autoironia. Essa música é fruto de Youtube e Soundcloud, não de Smetak e Koellreutter. Pelo menos não diretamente.

O Nó, afinal, não é nada menos que a plena consumação e celebração do lixo digital com vernizes de nostalgia garageira. No bom sentido. É o gesto de se inserir em um debate intelectual pela prerrogativa de se abster dele. A adoração confusamente dividida entre o autoirônico e o autodepreciativo do exagero cultural. A tentativa de saturar um matiz saturado em busca uma nova cor. (Texto: Bandcamp).



Discografia
 
Senha dos arquivos: brrock

 

Demo (2014)
01. Olhos Negros Infinitos Agudos
02. Estrago
03. Contínua Incompreensão
04. Interlúdio
05. Desprezo (Todo Passado Está Morto)
06. Embaraço
07. Valsinha da Solidão
08. Vala Comum



EP1 (2015) [EP]
01. EG-1 1990
02. O Sol
03. Ouro-e-Fio
04. Nublado
05. Escuro Sem Fim (Quasar)



Senha dos arquivos: brrock



Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.